Intervenção dos EUA eleva iene 5% após mínima de 40 anos
Os Estados Unidos e o Japão intervieram conjuntamente nos mercados de câmbio para fortalecer o iene, que havia caído para uma mínima de quatro décadas. A ação elevou a moeda japonesa de pouco acima de 163 para 157 por dólar, um ganho de cerca de 5%, antes de parte desses ganhos ser revertida na segunda-feira, 3 de agosto de 2026.
A intervenção afeta diretamente traders de câmbio e investidores que detêm ativos denominados em iene, bem como importadores e exportadores japoneses sensíveis às oscilações cambiais. A fraqueza do iene elevou os custos de importação para o Japão, enquanto um iene mais forte poderia aliviar essas pressões, mas prejudicaria a competitividade das exportações.
O movimento é relevante porque um iene persistentemente fraco ameaça a estabilidade econômica do Japão e atraiu raro apoio dos EUA. Analistas, no entanto, duvidam que o rali dure. Os estrategistas do UBS Teck Leng Tan e Dominic Schnider escreveram na segunda-feira que a combinação de políticas do Japão dificilmente produzirá fortalecimento sustentado do iene, e a moeda será mais apoiada pelo risco de intervenção do que por fundamentos monetários domésticos.
O Japão interveio anteriormente em 2022 e 2024, vendendo dólares para comprar ienes. Desta vez, relatos indicam que o Tesouro dos EUA pode ter vendido euros em vez de dólares para comprar ienes, um afastamento das intervenções coordenadas tradicionais financiadas com ativos em dólar. A reação do dólar na segunda-feira foi modesta, o que o chefe de mercados do ING, Chris Turner, atribuiu a questões não resolvidas sobre se o Federal Reserve elevará as taxas em setembro.
Taxas de juros mais altas nos EUA aumentam a demanda por títulos do Tesouro ao oferecer rendimentos maiores, o que pode fortalecer o dólar. Analistas do HSBC disseram que uma mudança estrutural na política do Banco do Japão é essencial para um rali duradouro do iene, citando a necessidade de aumentos mais rápidos das taxas e uma postura mais clara do governo em relação à moeda. Robin Brooks, do Instituto Peterson de Economia Internacional, argumentou em um post no Substack que a intervenção incomum baseada em euros pode minar a confiança no iene, pois os mercados podem se perguntar por que os EUA não usaram dólares.
A trajetória do iene depende da normalização da política do Banco do Japão e das decisões monetárias dos EUA. Sem aumentos mais rápidos das taxas do BoJ e redução da expansão fiscal, os analistas não têm confiança em uma tendência de queda sustentada para o par dólar-iene.
Fontes
- CNBC Top NewsSecundária
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