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Cientistas de Cambridge desvendam mistério cerebral da perda de peso

Publicado em 15 de ago. de 2026, 11:002 min readNewUJ Editorial Desk

Cientistas de Cambridge desvendam mistério cerebral da perda de peso
Photo: Trnava University · Unsplash
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Pesquisadores de Cambridge descobriram por que tanto a ativação quanto o bloqueio do mesmo receptor cerebral podem levar à perda de peso, segundo um estudo em camundongos publicado na Nature Metabolism em 15 de agosto de 2026. O efeito depende da região cerebral alvo: ativar o receptor no tronco cerebral reduz o apetite, enquanto bloqueá-lo no hipotálamo promove perda de peso por um mecanismo diferente.

Mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com obesidade, o que aumenta o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e câncer. Perder peso pode reduzir alguns desses riscos, mas alcançar perda de peso substancial apenas com dieta e exercícios é frequentemente difícil. Uma nova geração de medicamentos para perda de peso atua em receptores específicos envolvidos no apetite, reduzindo a ingestão de alimentos e ajudando a regular o açúcar no sangue.

Vários medicamentos amplamente utilizados, incluindo Wegovy e Ozempic, ativam o receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1R). Outros tratamentos atuam tanto no GLP-1R quanto no receptor do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIPR). Alguns medicamentos, como Mounjaro e Zepbound, ativam o GIPR, enquanto outros, como MariTide, o bloqueiam. Apesar dos efeitos opostos no mesmo receptor, ambas as abordagens podem promover perda de peso.

Pesquisadores do Instituto de Ciência Metabólica da Universidade de Cambridge usaram camundongos geneticamente modificados com GIPR removido de áreas específicas do cérebro. Um grupo não tinha o receptor no tronco cerebral, outro no hipotálamo, e um terceiro grupo de camundongos normais serviu como controle. Os cientistas trataram os animais com combinações de um agonista de GIPR, um antagonista de GIPR e um medicamento GLP-1, e monitoraram o consumo de alimentos, peso corporal, massa gorda, controle de açúcar no sangue e atividade cerebral.

Os resultados mostraram que os agonistas de GIPR atuam principalmente através do tronco cerebral, reduzindo o apetite e o peso corporal. Os antagonistas de GIPR, por outro lado, promovem perda de peso através do hipotálamo, onde o GIPR atua como um freio que limita a resposta do tronco cerebral aos sinais de saciedade. Bloquear o receptor libera esse freio, fortalecendo os sinais de saciedade. Os pesquisadores também encontraram evidências de que o bloqueio do GIPR poderia potencializar os efeitos de medicamentos emergentes que visam o receptor de amilina, sugerindo que os antagonistas de GIPR podem fortalecer várias classes de tratamentos contra obesidade.

As descobertas ajudam a explicar por que tratamentos como MariTide, atualmente em ensaios clínicos de fase 3 que combinam antagonismo de GIPR com agonismo de GLP-1R, podem ser eficazes. A Dra. Jo Lewis, primeira autora do estudo do Instituto de Ciência Metabólica, disse que entender quais circuitos cerebrais respondem a esses medicamentos pode ajudar a projetar melhores drogas com mais perda de peso e menos efeitos colaterais. A pesquisa foi financiada pelo Medical Research Council e pela Wellcome.

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