Espécies invasoras inundam o Mediterrâneo; 800 se estabelecem
Centenas de espécies invasoras estão inundando o Mar Mediterrâneo e avançando para o norte em direção à França e Espanha à medida que as mudanças climáticas aquecem as águas, relataram cientistas em julho de 2026.
A propagação acelerou desde o início dos anos 2000, coincidindo com o aumento das temperaturas do mar, segundo a Comissão Geral de Pesca do Mediterrâneo da ONU. O peixe-leão, avistado pela primeira vez no Mediterrâneo oriental em 2012, avançou rapidamente para o oeste. Os peixes-coelho raspam algas do fundo do mar, destruindo habitats de espécies nativas, enquanto o baiacu-pintado — chamado de 'pior invasor' — é um predador voraz.
As perdas de biodiversidade são severas. As águas rasas do Mediterrâneo oriental perderam 93% de sua população de moluscos, disse Ernesto Azzuro, biólogo marinho do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália. Ao longo da costa do Adriático, quase todos os mexilhões morreram, com temperaturas do mar em alguns anos ultrapassando 30°C.
O Mediterrâneo é um 'ponto crítico' das mudanças climáticas, com previsão de aquecimento de 2 a 6°C até 2100, estimam os Especialistas em Clima e Mudanças Ambientais do Mediterrâneo. O oceanógrafo Ronan McAdam do Centro Euro-Mediterrâneo sobre Mudanças Climáticas explicou que a bacia fechada do mar retém o calor, impedindo sua dissipação.
Azzuro lamentou: 'O Mediterrâneo dos nossos avós... está perdido para sempre', acrescentando que muitas mudanças são irreversíveis.
Chipre, por sua proximidade com o Canal de Suez, foi o primeiro a sentir o impacto. O peixe-leão suplantou o salmonete nativo, devastando os pescadores locais. Os peixes-coelho degradam ainda mais os ecossistemas ao consumir as algas que servem de habitat para muitas espécies.
Seu instituto lançou uma campanha, 'Cuidado com esses quatro', para destacar os riscos à saúde: o baiacu é tóxico se ingerido, e os espinhos do peixe-leão podem causar dor intensa.
O zoólogo Piero Genovesi Papik do Instituto Superior de Proteção e Pesquisa Ambiental da Itália disse que é 'tarde demais' para reverter a propagação, mas medidas práticas podem amenizar o impacto. A aplicação de um tratado internacional para tratar águas de lastro de navios poderia reduzir novas espécies alienígenas em 95% a 99%, afirmou. Tintas especiais para cascos também podem impedir organismos caroneiros. Políticas de pesca estão sendo alteradas para ajudar espécies nativas, por exemplo, cultivando moluscos menos suscetíveis ao caranguejo-azul invasor. Azzuro sugeriu comercializar espécies invasoras comestíveis ou pagar pescadores para capturar as não comestíveis, como o baiacu, para incineração.
Fontes
- The Independent WorldSecundária
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