Meta cai 9%, Microsoft sobe 8%: IA divide gigantes da tecnologia
As ações da Microsoft dispararam 8% no after-market em 29 de julho de 2026, enquanto as da Meta caíram 9%, após as duas gigantes de tecnologia divulgarem resultados trimestrais que pintam quadros contrastantes de seus investimentos em inteligência artificial. A reação dividida destaca como Wall Street está recompensando retornos imediatos da IA, ao mesmo tempo que pune gastos pesados sem retornos claros no curto prazo.
A receita do quarto trimestre fiscal da Microsoft superou as estimativas dos analistas, e seu negócio de nuvem Azure cresceu 43%, acima das expectativas do mercado. A empresa também revelou que os assentos pagos do Microsoft 365 Copilot, seu assistente de IA para trabalho, ultrapassaram 30 milhões, ante mais de 20 milhões em abril. Tracy Woo, analista principal da Forrester, disse em nota que a receita forte e a adoção acelerada do Copilot sinalizam que o investimento de US$ 190 bilhões da Microsoft em data centers está começando a gerar retornos.
Os resultados positivos ofuscaram a reafirmação da previsão de gastos de capital para 2026 e um sinal de possível expansão dos gastos no ano fiscal de 2027, em um momento em que os investidores estão apreensivos com os custos da IA. O ganho no after-market em 29 de julho reduziu a queda acumulada no ano para cerca de 24%.
Já a Meta perdeu as estimativas de lucro e emitiu uma projeção de receita para o trimestre atual abaixo do esperado. A empresa previu receita entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões, com ponto médio de US$ 62,5 bilhões, abaixo dos US$ 63,15 bilhões que analistas consultados pela LSEG esperavam. Enquanto isso, o fluxo de caixa livre da Meta despencou 91% na comparação anual, para US$ 784 milhões, à medida que continua a despejar dinheiro em infraestrutura de IA.
O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, disse que a empresa está "recebendo muitas ofertas por capacidade de computação com um prêmio significativo" sobre o que pagou, sugerindo um possível negócio de aluguel de capacidade ociosa para terceiros. No entanto, ele reconheceu que a Meta precisa reter recursos computacionais para seu próprio desenvolvimento de produtos, e Ben Barringer, chefe de pesquisa de tecnologia da Quilter Cheviot, observou em nota em 30 de julho que a narrativa "é um pouco vaga em detalhes e depende do que poderia ser feito no futuro". Barringer acrescentou que a Meta ainda está encontrando seu caminho na IA, fazendo com que tanto custos quanto receitas pareçam voláteis.
As ações da Meta caíram no after-market em 29 de julho e acumulam queda de cerca de 16% no ano. Os destinos divergentes das duas gigantes de tecnologia ressaltam uma divisão crescente no mercado de IA, com investidores favorecendo empresas que podem demonstrar retornos tangíveis em detrimento daquelas com planos de gastos ambiciosos, mas incertos.
Fontes
- CNBC Top NewsSecundária
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