Big Oil registra lucros recordes com guerra no Irã e crise no Hormuz
A disparada dos preços do petróleo, provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, impulsionou as maiores petroleiras do mundo a lucros recordes no segundo trimestre de 2026. A ExxonMobil registrou lucro de US$ 14,5 bilhões, o maior em quatro anos, embora abaixo das previsões de Wall Street devido a interrupções na produção no Catar. O lucro da Chevron atingiu US$ 12 bilhões, o maior em seis anos, enquanto a Shell mais que dobrou seus ganhos, para quase US$ 10 bilhões. A BP reportou US$ 5,73 bilhões, mais que o dobro do ano anterior, e os lucros da TotalEnergies subiram 67%. A Saudi Aramco, gigante estatal, teve alta de 44%, para US$ 32,69 bilhões.
Muyu Xu, analista sênior de petróleo da Kpler, afirmou que o preço médio do barril de petróleo bruto de referência global na Intercontinental Exchange atingiu US$ 96,68 no segundo semestre de 2026, ante US$ 78,38 no primeiro trimestre e US$ 66,71 no segundo trimestre de 2025. Os futuros de petróleo dos EUA ficaram em média em cerca de US$ 92 o barril de abril a junho, aproximadamente 27% acima dos três primeiros meses do ano. As empresas cujas exportações não foram afetadas pelo gargalo no Estreito de Ormuz se beneficiaram dos preços elevados e da forte demanda por petróleo fora do Oriente Médio, acrescentou ela, enquanto aquelas com ativos significativos de refino também ganharam com margens mais amplas.
O aumento dos custos do petróleo atingiu duramente os consumidores. Nos EUA, a gasolina ficou em média acima de US$ 4 o galão, quase 40% mais cara do que antes da guerra, segundo a American Automobile Association. No Reino Unido, a gasolina atingiu um recorde de 160,85 pence por litro em 3 de agosto de 2026, com o diesel acima de 180 pence, informou o Royal Automobile Club. No mesmo dia, analistas da EY alertaram que a economia britânica poderia encolher em 2027 se o Estreito de Ormuz não for reaberto à navegação até meados de 2027.
O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu com fúria aos lucros extraordinários em 3 de agosto, dizendo a repórteres que empresas como ExxonMobil e Chevron estão "ganhando dinheiro demais com base na escassez". "Vou dizer bem alto e claro: não estou feliz com isso", afirmou Trump. Ele exigiu que elas "reduzam o preço no varejo, o preço ao consumidor", e acrescentou que quando uma empresa ganha "12 vezes o que ganhou no ano anterior, ela deveria devolver parte disso ao público".
Economistas observaram que, embora a receita tenha subido junto com o petróleo, os lucros cresceram ainda mais rápido devido à alavancagem operacional e ao fortalecimento das margens de refino, proporcionando um ganho inesperado às maiores empresas.
Fontes
- Al JazeeraSecundária
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